Capítulo Um pequeno coração partido (Borboletas no Jardim)

Queridos leitores, abaixo voces terao a oportunidade de ler o quarto capítulo do meu novo livro: Borboletas no jardim. Este livro é muito especial para mim, pois trata de um assunto muito pessoal; a ‘perda’ de uma mãe. O livro conta a estória de Katie, uma garotinha Americana de cinco anos que recebe a notícia de que sua mãe,  Linda, desencarnou. Espero que gostem do capítulo abaixo. Logo logo terei mais informações sobre o lançamento do meu novo ‘filho’ Borboletas no Jardim.

capa ebook

Capítulo : Um Pequeno Coração Partido

Enquanto isso, na Terra, Roy saiu do hospital um dia antes do funeral de Linda.[1] Concordou com Elizabeth e Joey que seria melhor se ele mesmo desse a notícia a Katie, então os dois esperaram até que ele estivesse em casa.

Ao ouvir o barulho do carro de Joey se aproximando, trazendo Roy para casa, Katie correu para encontra-lo.

– Papai, você voltou!

Roy desceu do carro e se ajoelhou. Abraçou a filha e afagou seus cabelos, tentando esconder a tristeza. Uma lágrima escorreu em seu rosto e ele a enxugou rapidamente antes que ela visse.

– Onde está Mamãe? Vocês voltaram juntos, não? – perguntou Katie, olhando por cima do ombro do pai para ver se ela estava no carro. – Não estou vendo. Ela está brincando de esconde-esconde?

E correu em volta do carro, rindo.

Roy olhou para Elizabeth e Joey, pedindo ajuda. Pegou Katie pela mão e disse:

– Meu amor, vamos até o jardim. Papai precisa falar com você.

Os dois se sentaram-se no banco perto de uma árvore. As mãos dele tremiam e lágrimas escorriam em seu rosto. Era a notícia mais difícil que ele já havia dado a alguém na vida. Estava acostumado a tratar com negociantes experientes e astutos, mas nem as transações mais difíceis se comparavam ao que teria que fazer agora. Sua filha, que nem havia completado seis anos, era a criatura mais inocente que ele conhecia, vulnerável e frágil. Seu coração estava em pedaços e agora ele iria partir o coração daquela a quem mais desejava proteger no mundo.

– Temos que conversar sobre a Mamãe, Katie. – disse ele, olhando bem em seus olhos para acompanhar e ajudar em suas reações.

A menina ficou em silêncio, prestando atenção. Sentia que algo estava acontecendo ao ver as lágrimas nos olhos do pai. Linda estava ali, ajoelhada na frente dos dois, transmitindo vibrações de amor. Geraldine e Teresa também estavam ao lado, com os olhos fechados e enviando pensamentos positivos para Katie e Roy.

– Mamãe e eu sofremos um acidente de carro na volta das montanhas. Estava chovendo muito… – disse Roy, pausadamente, tentando conter as emoções e não chorar mais ainda. Não queria mostrar a Katie que também estava arrasado e inseguro quanto ao futuro. Sabia que devia transmitir segurança a ela e fazê-la sentir que tudo ia ficar bem. – Ficamos muito machucados… e….

– Ela está no hospital, Papai? Os médicos estão cuidando dela?

Mais lágrimas surgiram em seus olhos e ele sentia como se o mundo fosse desmoronar. Respirou fundo e passou a mão no rosto da filha.

– Os machucados dela foram muito sérios, meu amor…Mamãe morreu.

– Não entendi, Papai. Quando ela volta? Quando ela volta? – perguntou ela, assustada.

– Ela não volta mais, querida. Quando as pessoas morrem elas não voltam…. Não podem mais voltar. Ela foi embora para sempre…

– Eu não vou mais ver minha mãe? – ela começou a chorar, confusa e com medo.

– Não, meu amor. Não vamos mais vê-la. Mamãe foi embora para sempre. – Roy a abraçou e a aconchegou em seu peito.

A menina afastou os braços do pai e saiu correndo e chorando, desesperada. Foi até um arbusto em que costumava brincar, fazendo de conta que era uma pequena casa. O arbusto tinha uma pequena abertura e um espaço oco dentro. Ela entrou, se sentou no chão e ficou chorando até quase perder o fôlego.

Roy foi até lá, se ajoelhou e Katie viu que ele também estava chorando. Saiu do arbusto e o abraçou. Os dois ficaram ali, pensando nos momentos que tiveram com Linda. Katie se lembrou de todos os instantes do último dia e do sorriso da mãe. Depois de alguns instantes Roy a pegou pela mão e a levou até o banco onde eles estavam sentados antes. Não podiam vê-la, mas Linda os abraçou e envolveu em muita luz. Os três choraram. Teresa e Geraldine se aproximaram, ergueram os braços e oraram, pedindo paz e conforto para aquela família. Então uma forte luz, invisível aos olhos humanos, surgiu no ar, transformando-se em uma espécie de arco-íris, resultado das vibrações de amor de Geraldine, Teresa e Linda.

Elizabeth veio para o jardim, acompanhada de Joey. Os dois se sentaram perto de Roy e Katie. A menina chorava sem parar. Olhou para os avós e disse, soluçando, que sua mãe não voltaria mais para casa.

– Sim, minha princesinha…Sei que é muito triste. Estamos todos muito tristes também. – disse Elizabeth, abraçando a neta.

– Sinto muita falta dela, Vovó. – disse Katie, entre lágrimas. – Quero que ela volte agora.

– Também queremos, minha querida. Também queremos. Mas não foi culpa dela. Sua mãe não escolheu ir embora. Quando a morte chega não há como dizer “não”. Ouça: sua mãe não foi embora de propósito. Ela simplesmente ficou tão machucada que foi chamada para ir para o céu. – explicou Elizabeth.

– Seja forte. Não estou morta. Lembre-se: não morremos, jamais morremos. Apenas evoluímos, progredimos e vivemos para sempre. – Linda disse à Katie. Tocou o pequeno rosto da filha e continuou. – Estou viva e estou aqui, cuidando de você. A única diferença é que não estou mais em um corpo físico. Essa separação dói muito, mas um dia vamos estar juntas novamente, eu prometo.

Mesmo sem ver ou ouvir o que Linda estava dizendo, os quatro começaram a se lembrar dos momentos felizes que viveram com ela. Linda aproveitou a oportunidade para se levantar, fechar os olhos e pedir a Deus que uma borboleta surgisse ali. Concentrou-se na imagem e, em alguns segundos, uma bela borboleta azul se materializou e voou pelo jardim, indo pousar no joelho de Katie. A menina parou de chorar. Olhou para Roy e para os avós e disse:

– É Mamãe! Prometemos uma para a outra…Prometemos que iríamos mandar borboletas! Mamãe me enviou esta, tenho certeza.

Roy, Elizabeth e Joey sorriram para Katie. A borboleta voou, então, pousou em cada um deles e depois voltou para o joelho da menina. Katie imaginou a mãe ali perto, cuidando dela, e pensou: “Por favor, volte, Mamãe…Preciso muito de você”.

– Não tenho como voltar, filhinha. Pelo menos não como antes, mas estarei sempre perto de você. A qualquer momento que precisar. – disse Linda, dando-lhe um beijo no rosto.

Levantou-se, então, se colocando ao lado de Teresa e Geraldine.

– Vamos, então? – sugeriu Teresa. – Podemos voltar em breve.

Linda concordou e jogou um beijo para eles antes de partir, acompanhada das duas.

Elizabeth, Joey e Roy ficaram no jardim com Katie, observando o céu, cada um sentindo à sua maneira a perda de sua amada Linda.

  • [1] Diferente do Brasil, os funerais e enterros nos Estados Unidos e outros países Anglo-Saxões tardam vários dias para acontecer.
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